sábado, 18 de fevereiro de 2012

Apuração de outro resultado parcial

Todos nós temos nossas fases. Bons ou ruins, ditosos ou decepcionantes, empolgantes ou completamente sem sentido, não importa, vivemos uma miríade de momentos que nos trazem significado e recheiam nossa existência de experiências pra contar nos dias, meses e anos seguintes.

Hoje completo mais um ano de vida podendo dizer que já conheci um bocado de coisas, me arrependi de algumas outras, mas tive como balanço sempre um saldo positivo no final das contas. Acho que estamos aqui para isso mesmo, não é? O tempo passa pra todo mundo.

Por isso, posso dizer que chego até aqui com o ânimo da minha juventude, com o desejo de explorar mais e errar menos. Chego com a força de quem sabe o que quer, apesar de, às vezes, ver o centro do alvo somente à longa distância. Chego com fome de conhecimento, de aprender mais sobre tudo sem a presunção de me tornar algum dia um especialista na Vida Humana ou um doutor dos Atalhos Corretos.

Chego até aqui com fé, em Deus e também nos homens. Chego com as minhas utopias particulares bem alimentadas, acreditando que o amor ainda pode fazer algo pelo mundo e salvar o meio ambiente. Chego com a certeza de que ainda existe amizade sem interesse mercantilista e espantado por ver bicho se comportando como gente e gente agindo como bicho.

Chego até aqui sem ter ganhado nenhum Oscar durante a novela da vida (afinal, nunca fui um bom ator, apesar das cenas envolvendo lágrimas). Chego mais com dúvidas a respeito de tudo do que com respostas prontas e raciocínios simplistas. Chego com as marcas de quem escalou montanhas íngremes pelo salário nosso de cada mês do que com a maquiagem retocada de quem fez o mesmo caminho a bordo de um helicóptero.

Chego até aqui um pouco cansado das atitudes mecânicas dos humanos de plástico e, ao mesmo tempo, muito satisfeito por encontrar pessoas reais, com comportamentos reais e vidas reais. Chego agradecido e feliz por ter comigo gente com o mesmo sangue que o meu caminhando ao meu lado, ainda que as discordâncias já tenham surgido durante o percurso.

Chego com a confiança de que anos melhores virão, momentos piores passarão depressa e lições significativas trarão mais sentido ao mundo e me provarão que estou certo, nem que seja só em parte. Quero continuar acreditando que vale a pena viver pelo que se acredita e lutar por quem se ama. Agora, se tudo isso for uma simples fantasia, se o que vale mesmo é o ódio, o dinheiro e a violência, então para mim a vida não passará de um mero vapor no ar, uma fumaça que se esvai e um devaneio de uma noite qualquer.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A revolução da participação

O vai-e-vem de denúncias de corrupção no primeiro escalão do governo federal, os inquéritos abertos contra pessoas que, na teoria, deveriam representar a população e a má administração daqueles que são eleitos nas urnas brasileiras a cada dois anos trazem a todos nós, em primeiro lugar, um sentimento de vergonha, seguido por uma revolta contra o atual sistema político brasileiro.

Críticas não faltam. Praticamente ninguém escapa. Porém, diante da insatisfação histórica contra o poder público, tenho receio das posições radicais e dos discursos revolucionários que ouço na rua. Explico.

Toda forma de radicalismo leva a atitudes extremas. A insatisfação contra os históricos governos ditatoriais das nações do Oriente culminou na chamada Primavera Árabe. Entretanto, considero imprópria a ideia de transferir essa mesma realidade para o caso brasileiro, não só por se tratarem de situações diferentes, mas também pelo fato de serem formas de governo e populações absolutamente distintas. Mesmo considerando a democracia como um recurso ideológico, ainda assim acredito que estamos numa situação comparativamente bem melhor do ponto de vista político-econômico.

A queda de regimes opressores com as características observadas em países como Egito e Líbia, por exemplo, envolve um contexto histórico e cultural não vivenciado por nós. Sem falar na problemática geopolítica envolvida nesses casos, com a influência dos EUA e de organismos como a OTAN e a ONU, além da consequente disputa pelo poder entre os diversos grupos e atores sociais gerados após uma revolta desse porte. Não há economia que aguente tantos distúrbios e interferências. Consertar isso vai envolver tempo, diplomacia e dinheiro, muito dinheiro.

O discurso do tipo “vamos desmontar tudo e começar de novo” também me soa anacrônico para a realidade tupiniquim. Os militares, em 1964, diziam o mesmo e ainda justificaram o golpe contra um presidente eleito pelo povo dizendo que estariam protegendo interesses nacionais contra a ameaça comunista da época, ou seja, contra os que queriam fazer mal ao país. A ditadura se valeu da intenção de fazer o bem a despeito dos métodos empregados para isso, porque, afinal, a nação precisava ser salva.

Não apenas por esses fatos, julgo que o Brasil precisa não de uma revolução envolvendo a derrocada da democracia como a conhecemos, pois isso seria simplesmente substituir um sistema por outro usando para isso armas ou justificativas salvacionistas de inspiração ditatorial. Tenho comigo que o caminho mais viável no longo prazo está no ato de encarar as prioridades e dar espaço para a participação popular.

Ser representado por uma democracia que serve aos interesses do capital não tem o menor sentido se não exigirmos uma pauta única para o país, que envolva questões sociais, ambientais e estruturantes. Os bons ventos das reformas tributária, previdenciária, política e agrária não devem ser prioridades de um ou outro candidato na propaganda eleitoral, mas precisam compor uma agenda nacional, seguida à risca por quem quer que esteja no poder: direita ou esquerda. Vamos atacar logo essas grandes questões, uma por uma, nas instâncias que se fizerem necessárias e com a participação de lideranças comunitárias do país inteiro. Chega de discutir projetos secundários.



As grandes reformas exigem tempo e debates regionalizados por quem vai ser realmente afetado por elas, isto é, os eleitores. Não será um novo Messias, uma reviravolta no sistema ou um discurso a favor de um restart de âmbito nacional que salvará o país da corrupção. Por isso, é preciso pavimentar um caminho único a ser seguido pelos que ocuparem as cadeiras em Brasília, acima dos interesses partidários e egos individuais.

Todos nós esperamos ver menos burocracia nos processos e menor orçamento para a máquina estatal. Ao mesmo tempo, todos nós esperamos ver também uma dose maior de participação de gente comum nas decisões importantes, o protagonismo popular tomando parte nos rumos do país, mais foco nos problemas centrais e mais verba aplicada no bem-estar da população de baixa renda, na qualidade da educação pública, nos avanços na área da saúde e na proteção das reservas naturais.

Em vez de discutirmos destruição e corrupção, o que acha de pensarmos em prioridades e participação popular?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estilhaços de mim

Ria de si mesmo
Faça troça de sua imagem
Erre, acerte, siga, volte, pare
Caminhe em direção ao seu próprio eu

Desapegue-se

Chore de você mesmo
Dê gargalhadas do futuro
Cante, dance, impregne-se de luz e sombra
Seja você e não se preocupe com as pedras

Desforre-se

Beije a você mesmo
Confronte seus medos e faça as pazes com sua alma
Pule, grite, carregue nos braços quem você ama
Avance mesmo que as placas digam o contrário

Desconstrua-se

Refaça a você mesmo
Cada dia é um novo começo, uma ressurreição
Viva, reviva, caia e levante indefinidamente
A morte pode ser uma possibilidade, mas a vida será sempre definitiva

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O que não quero para este ano

Sabe aquela lista de projetos que escrevemos todo início de ano? Então, tenho uma também. Já bastante preenchida, é verdade, mas com muita coisa ainda por conquistar. Em 2012 todo mundo renova as esperanças (o que é muito bom), realinha as metas e inicia janeiro empolgado com uma porção de coisas para obter/fazer durante os próximos 365 dias.

Não acredito que o mundo muda entre um ano e outro. Na verdade, tudo permanece inexoravelmente igual. Os que devem e precisam mudar todos os dias são as pessoas. Isso mesmo: eu e você.

Por isso, só para sair da lista de “coisas que quero em 2012”, delineei abaixo algumas que já decidi não querer de jeito nenhum até dezembro (se o mundo não acabar antes):

  1. Não quero esperar nada cair do céu: as grandes mudanças acontecem por causa da ação humana. Não espero que nada venha fácil. O dito popular “o que vem fácil, vai fácil” não poderia ser mais verdadeiro. Quero vitórias obtidas com suor e trabalho honestos, vivendo e apreciando cada momento da batalha cotidiana e experimentando na pele todos os bons e maus momentos trazidos por ela. No final, também quero ser responsável pelos erros e acertos e dizer que fiz e consegui porque o melhor momento para buscar o que se quer sempre foi o agora;
  1. Não quero me submeter ao que não vale a pena: os altos e baixos da vida serão sempre inevitáveis e acontecerão em qualquer lugar, mas o que não consigo aceitar é o fato de ter que me acomodar a determinada situação por não haver uma forma de alterá-la. Acredito, por princípio, na possibilidade, ainda que remota, de mudança da realidade a partir da vontade humana. Se quisermos, poderemos muito mais do que imaginamos se lançarmos mão dos meios para tornar possível o que hoje é apenas uma ideia. Se submeter a situações negativas/preconceituosas/violentas/constrangedoras por conta de uma consciência vassala, para mim, é inaceitável em nossos dias;
  1. Não quero ter que me valer da violência para ter meus direitos respeitados: a violência retira a razão de qualquer um. O pacifismo, o diálogo e a comunicação assertiva continuam sendo as minhas principais armas. Podem não ser as melhores, mas ao menos estão alinhadas a valores que fazem sentido em meu mundo interno. As armas já demonstraram o poder destrutivo ao longo da história humana e as palavras também já surpreenderam ao mostrar que existe solução sem a necessidade de agredir o outro. Não preciso nem falar dos exemplos que passaram por aqui no último século, tais como Martin Luther King Jr, Gandhi, Desmond Tutu, Madre Teresa, dentre outros tantos;
  1. Não quero fechar a porta para as novas ideias: as constantes mudanças em escala global, em todas as áreas da vida, lançam diariamente sobre nós uma enxurrada de informações e ideias e não quero me fechar a elas, ainda que estejam em desacordo com minhas opiniões ou visão de mundo. Conhecimento nunca é demais e aprender é sempre o melhor caminho para nos tornarmos pessoas melhores em todos os sentidos. Espero continuar crescendo mesmo quando chegar à terceira idade. Nunca saberemos o suficiente.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O perigo de ser livre

Definitivamente acredito que o medo de ser livre é cada vez mais profundo e real. Digo isso por diálogos recentes que me fizeram perceber que, lá no fundo, todos tememos a enorme responsabilidade que implica a liberdade humana.

A expressão “medo da liberdade” foi criada pelo filósofo, sociólogo e psicanalista Erich Fromm durante o período da Segunda Guerra Mundial. O termo também foi muito utilizado por PauloFreire.

Mas de onde vem esse receio? Seria a liberdade tão ruim assim? “As piores dificuldades de um homem começam quando ele é capaz de fazer o que quer”, já dizia o biólogo inglês Thomas Huxley.

A liberdade joga a responsabilidade de nossas ações sobre nós. Você é dono do seu destino e livre para escolher seu futuro. A realidade é moldada por suas ações e os erros e acertos de suas decisões pertencem integralmente a uma única pessoa. Adivinhe? Sim, pertencem a você.

Parece mesmo mais fácil delegar a outro(s) o peso de decisões importantes. Afinal, quem quer ter o ônus de um fracasso? Não é bom arriscar!

Viver sob a pauta de terceiros é mais cômodo e seguro. Seguir trilhas já abertas, pensar como já se está acostumado e agir conforme modelos preestabelecidos facilitam o cotidiano e evitam problemas.

Num mundo massificador, pensar igual é a lei. O que sair dessa regra é heresia. Liberdade traz medo porque coloca-nos contra essa maré.

Já sentiu medo ao subir em um prédio e olhar para baixo? Tomo emprestada a metáfora do jornalista LucianoPires para dizer o mesmo: você não vai pular lá do alto, mas sabe que, se quiser, pode fazê-lo. Ter consciência de que se pode agir da forma que se deseja torna-se o risco de ser livre.

Você tem agora diante de si uma escolha: seguir o rebanho ou inventar um caminho só seu. E aí? O que vai ser?